Feng Shui

Feng Shui. Nunca entendi direito o que é isso. Tive um patrão que guiava sua vida em função das diretrizes que a sua guru lhe indicava. Essa tal guru, moça meio baixote, meio gostosinha e com cara de puta-e-meia, andava para lá e para cá no escritório, esvoaçando sem pudor suas roupas etéreas que lhe conferiam um ar de cafetina decadente contrastante com a impressão elevada que desejava passar. Disparava as mais variadas ordens e palpites aos funcionários, desde sobre quais as cores de camisas que deveriam usar para “positivar” sua existência, até sobre como deveriam pintar a parede da sala de sua casa de roxo, para que a energia do violeta emanasse em seu lar. Porra de energia violeta. Semanalmente os móveis do escritório eram transferidos de um lado para o outro, sempre em busca da conjunção perfeita com a vida, o universo e tudo o mais, seja lá que diabos isso possa ser. O que afinal de contas uma mesa virada de frente para o extintor pode interferir em sua conjunção astral? Certa vez, depois de um mês particularmente ruim para as finanças da empresa, todas as cafeteiras do lugar foram substituídas por outras de cor meio amerelo-bosta-de-nenê, que de alguma maneira acarretaria uma milagrosa mudança na Força, enchendo os cofres vazios. Balela. Os boatos diziam que na verdade ele comia a guru, nisso eu acredito. Amarelo é dinheiro, segundo o ex-patrão, não bosta-de-nenê.


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