Burrice

Não tolero gente burra. Ponto. Não, não é ponto definitivo, isso é mais um ponto-e-vírgula, por que eu sei e você sabe que em muitos casos a tal “gente burra” na verdade tá por cima da carne-seca, enquanto nós, isto é, eu e você e mais meia dúzia de “nós” por aí, acabamos fodidos e mal pagos, com uma mão na frente e outra atrás, no mato sem cachorro e demais ditados que induzam a mais calamitosa situação onde eu (e isso quer dizer também você e os outros “nós” por aí) continuo na merda.

É bem verdade que não é exatamente a burrice que não tolero, o que não tolero mesmo, mas mesmo mesmo é a preguiça que impede certas pessoas de aprenderem o mínimo sobre qualquer coisa que não seja elas próprias, tipo umas pessoas que conheço por aí, ou por aqui se preferir assim, direto.

Sabe gente que chama pedindo uma “ajudazinha só” para resolver a coisa e no final acabamos fazendo todo o serviço para o fulano, três, quatro vezes, pois ele simplesmente não consegue aprender como se faz? Ou ainda gente que vem perguntar como se faz a tal coisa, após você ter passado um e-mail gigantesco onde descreve tim-tim-por-tim-tim como fulano e beltrano tem de fazer as coisas que eles não sabem fazer, pois leram apenas o assunto e o primeiro parágrafo do bendito? Então, é disso que estou falando.

O meu problema é que não tem um fulano um beltrano um sicrano assim aqui, tem um esquadrão deles, mais ou menos uns trinta, preparados para infernizar a minha vida até eu mandar para aquela caverninha escura e úmida e quentinha. Mentira, tanto eu quanto você, quanto os outros “nós” por aí sabemos muito bem que eu não farei isso, afinal sou educadinho e passei por um treinamento intensivo nas melhores estrebarias francesas, fazer o papel de louco insano que cospe na cara dos outros e faz xixi na mesa do chefe não é comigo.

Fazendo uma análise mais profunda do meu “eu-escravo”, talvez seja por isso que sempre tive uma puta inveja do Michael Douglas naquele “Um Dia de Fúria”, onde o cara surta e manda todo mundo para a caverninha, sem dó, resolveu descarregar todo estresse acumulado por anos na própria sociedade que o motivou a isso. Filme foda, meio psicótico, mas foda. Lógico que isso não é filme, nem eu nem você nem os outros “nós” temos nenhuma tendência ao genocídio, mas que dá vontade dá. Ah! Se dá, mas não vamos, afinal já acabou o horário do almoço.


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